Bárbara Clara
terça-feira, 28 de maio de 2013
Que tal mais um café?
Demorei para arrumar e por tudo no lugar depois que você foi embora, você tinha mania de chegar e bagunçar a casa inteira, de chegar e me esquentar, me abraçar e beijar, deixar seu cheiro, preencher tudo com a sua voz, com seu corpo e seu sorriso, a casa era totalmente você, eu era inteira só você, mesmo aparecendo algumas vezes, só quando queria, o seu lugar sempre estava ali guardado, intacto, com seu nome e seu jeito.
Me fazia mal essa casa cheia de desleais esperanças, repleta de falsas promessas de amor, inundada de ilusões, de mentiras, mas mesmo assim acreditava em você, imaginava que um dia você chegaria e ficaria. Troquei a decoração várias vezes, mudei algumas certezas de lugar, pra ver se você finalmente mudava para cá, mas não, você nem se quer reparava nas novas decorações, só pensava em você, aparecia quando queria e logo ia embora.
Enfim, depois de muitas tentativas de fazer você ficar, não aguentei mais, o tempo estava passando, e eu presa dentro de casa esperando você, com pressa te querendo. Tomei uma decisão que mudou tudo, destruí, esvaziei tudo e joguei tudo fora, para recomeçar, pintei com novas cores. A casa ainda continua vazia. Você nem imagina como foi difícil ajeitar tudo de uma nova maneira, como doía te ver na janela e não te deixar mais entrar.
Não tem como te esquecer totalmente, às vezes alguém bate na porta e por alguns instantes eu acho que é você, percebo um sorriso em meu rosto, mas volto a realidade, você não volta mais. Apesar de tudo que já fez comigo, me feriu com seus erros, mancadas, mentiras, defeitos... às vezes ainda sinto você aqui comigo, foi o primeiro a preencher essa casacoração, com seu jeito bobo, engraçado, do seu jeito lindo e único.
Te sinto aqui, mas não como antes, sinto como uma lembrança boa, um tempo da minha vida que eu passei sentindo meu coração batendo mais forte, tempo que passou e não desejo que volte.
Continuo a mudar e construir a casa, ela não tem mais sua cara, não tem mais seu cheiro, tomou minha forma, meu jeito, meu sorriso, hoje ela tem meu brilho. Abri a porta e sai, me libertei.
Deixei um recado na porta:
Fui viver e conhecer o mundo, não me espere, pois não sei se volto.
Bárbara Clara
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Inverno
Os vidros embaçados me mostram o que ninguém quer ver lá fora, embaça a vista, só enxerga lá fora quem realmente quer ver e sabe que pode haver consequências.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Chave mestra
domingo, 12 de maio de 2013
Fiquei pensando.
A vida é um trem, um trem é uma vida, sempre com pressa, correndo, muitas pessoas entram e saem dela. Quem entra não para, e se parar em uma estação, não volta mais.
Vai vida, vai, vai, vai, segue seu rumo, não para, vá para seu destino, passa pelas estações, até chegar na sua vida, vida sua.
Bárbara Clara
Andando pela estação vejo rostos apressados, cansados, querendo chegar a algum lugar. Vejo pessoas, muitas pessoas no celular, conversando, alias enquanto olho tudo isso também estou escrevendo esse texto, e no celular.
Continuo andando, e chego até a porta do próximo metrô, espero. Daqui a pouco vou descer no meu destino.
Bárbara Clara
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Poema Anjo (I)
Hoje eu acordei mais cedo
E fiquei te olhando dormir
Imaginei algum suposto medo
Para que tão logo
Pudesse te cobrir
Tenho cuidado de você
Todo esse tempo
Você esta sob o meu abraço
E minha proteção
Tenho visto você errar e crescer
Amar e voar
Você sabe onde pousar
Ao acordar já terei partido
Ficarei de longe, escondido
Mas sempre perto decerto
Como se eu fosse humano, vivo
Vivendo pra te cuidar, te proteger
Sem você me ver
Sem saber quem sou
Se sou anjo
Ou se sou
Seu amor
Saulo Fernandes (Banda Eva)
Poema Anjo (II)
Afinal, quem eu sou?
Seu anjo ou seu amor?
Tenho asas?
Anjos protegem, cuidam
Aparecem invisíveis
Humanos também
Quando amam
Quero dizer
Que já não importa
Saber de onde venho
Se tudo que sou pra você
E amor
E se ainda assim
Quiser voar
Te levo comigo
Te mostro as estrelas
Outros alados, Deus
A vida celeste
E mais uma vez humanos
Nos amarmos
Até morrermos
Pra dizer que é seu o anel
Sou o seu amor na terra
E seu anjo no céu.
Saulo Fernandes (Banda Eva)