Meu coração está vazio. Antes era quente e preenchido, hoje uma casa fria, assim como os dias de inverno.
Demorei para arrumar e por tudo no lugar depois que você foi embora, você tinha mania de chegar e bagunçar a casa inteira, de chegar e me esquentar, me abraçar e beijar, deixar seu cheiro, preencher tudo com a sua voz, com seu corpo e seu sorriso, a casa era totalmente você, eu era inteira só você, mesmo aparecendo algumas vezes, só quando queria, o seu lugar sempre estava ali guardado, intacto, com seu nome e seu jeito.
Me fazia mal essa casa cheia de desleais esperanças, repleta de falsas promessas de amor, inundada de ilusões, de mentiras, mas mesmo assim acreditava em você, imaginava que um dia você chegaria e ficaria. Troquei a decoração várias vezes, mudei algumas certezas de lugar, pra ver se você finalmente mudava para cá, mas não, você nem se quer reparava nas novas decorações, só pensava em você, aparecia quando queria e logo ia embora.
Enfim, depois de muitas tentativas de fazer você ficar, não aguentei mais, o tempo estava passando, e eu presa dentro de casa esperando você, com pressa te querendo. Tomei uma decisão que mudou tudo, destruí, esvaziei tudo e joguei tudo fora, para recomeçar, pintei com novas cores. A casa ainda continua vazia. Você nem imagina como foi difícil ajeitar tudo de uma nova maneira, como doía te ver na janela e não te deixar mais entrar.
Não tem como te esquecer totalmente, às vezes alguém bate na porta e por alguns instantes eu acho que é você, percebo um sorriso em meu rosto, mas volto a realidade, você não volta mais. Apesar de tudo que já fez comigo, me feriu com seus erros, mancadas, mentiras, defeitos... às vezes ainda sinto você aqui comigo, foi o primeiro a preencher essa casacoração, com seu jeito bobo, engraçado, do seu jeito lindo e único.
Te sinto aqui, mas não como antes, sinto como uma lembrança boa, um tempo da minha vida que eu passei sentindo meu coração batendo mais forte, tempo que passou e não desejo que volte.
Continuo a mudar e construir a casa, ela não tem mais sua cara, não tem mais seu cheiro, tomou minha forma, meu jeito, meu sorriso, hoje ela tem meu brilho. Abri a porta e sai, me libertei.
Deixei um recado na porta:
Fui viver e conhecer o mundo, não me espere, pois não sei se volto.
Bárbara Clara
terça-feira, 28 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Inverno
Dia nublado, nuvens pesadas se desfazendo em chuviscos, janelas do ônibus fechadas e embaçadas. Frio, todos andam com suas blusas se protegendo do vento cortante e dos rostos desconhecidos que passam. Na rua carros, ônibus e pessoas vem e vão.
Os vidros embaçados me mostram o que ninguém quer ver lá fora, embaça a vista, só enxerga lá fora quem realmente quer ver e sabe que pode haver consequências.
Os vidros embaçados me mostram o que ninguém quer ver lá fora, embaça a vista, só enxerga lá fora quem realmente quer ver e sabe que pode haver consequências.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Chave mestra
Fechada, como uma porta sem chave, fechada no seu mundo, no seu canto secreto. Ela pode pegar a chave e sair, mas deixa trancada para ninguém entrar. Fechada, porta, armários, quarto, coração, vida fechada, casa aberta, tudo fechado, intimo, puro. Casa aberta e cheia, todas as portas trancadas e tudo mais fechado, ela só tem a sala confortável e acessível
domingo, 12 de maio de 2013
Perguntei a um senhor: "Por favor, que trem é esse que passa e nunca para?", ele me respondeu "Moça, esse trem se chama vida".
Fiquei pensando.
A vida é um trem, um trem é uma vida, sempre com pressa, correndo, muitas pessoas entram e saem dela. Quem entra não para, e se parar em uma estação, não volta mais.
Vai vida, vai, vai, vai, segue seu rumo, não para, vá para seu destino, passa pelas estações, até chegar na sua vida, vida sua.
Bárbara Clara
Fiquei pensando.
A vida é um trem, um trem é uma vida, sempre com pressa, correndo, muitas pessoas entram e saem dela. Quem entra não para, e se parar em uma estação, não volta mais.
Vai vida, vai, vai, vai, segue seu rumo, não para, vá para seu destino, passa pelas estações, até chegar na sua vida, vida sua.
Bárbara Clara
Sentada, olhando pela janela do metrô, vai e vai, o tempo corre, a vida corre. Para nas estações e as portas se abrem para as vidas sairem e seguirem seu caminho. Desço na minha parada rumo a outro metrô, vejo vidas correndo, andando, e penso no que elas podem estar pensando, será que é no amor perdido, no amor conquistado, na balada, em casa, nos filhos, no que irá comer? Tanta coisa que pode estar passando pela cabeça de cada um nesse momento.
Andando pela estação vejo rostos apressados, cansados, querendo chegar a algum lugar. Vejo pessoas, muitas pessoas no celular, conversando, alias enquanto olho tudo isso também estou escrevendo esse texto, e no celular.
Continuo andando, e chego até a porta do próximo metrô, espero. Daqui a pouco vou descer no meu destino.
Bárbara Clara
Andando pela estação vejo rostos apressados, cansados, querendo chegar a algum lugar. Vejo pessoas, muitas pessoas no celular, conversando, alias enquanto olho tudo isso também estou escrevendo esse texto, e no celular.
Continuo andando, e chego até a porta do próximo metrô, espero. Daqui a pouco vou descer no meu destino.
Bárbara Clara
Assinar:
Postagens (Atom)